A Talha Neoclássica na Bahia

A Talha Neoclássica na Bahia

Em 1789, as formas sóbrias da talha neoclássica aparecem pela primeira vez na Bahia, na Capela da Irmandade do Santíssimo Sacramento. Em 1813, é a vez da Igreja do Nosso Senhor do Bonfim ser construída nesses moldes, se tornando ícone do neoclassicismo baiano. A partir de então, surge uma onda de reformas para a substituição, pelas linhas clássicas, da pesada ornamentação barroca que dominara as igrejas da Bahia no século precedente.

Esse movimento duraria praticamente todo o século XIX e legaria à Bahia o mais rico acervo de talha neoclássica do país, com interpretações originais de elementos do neoclassicismo europeu. Apesar disso, o período e suas obras jamais receberam a devida atenção dos estudiosos, tendo sido estigmatizados como algozes da criatividade barroca.

Para suprir essa lacuna na História da Arte, desfazer o mito e reabilitar o movimento, o professor Luiz Alberto Freire, da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, lançou A Talha Neoclássica na Bahia. Para isso, vasculhou arquivos portugueses e periódicos da época e visitou e analisou a ornamentação de dezenas de igrejas, inclusive no interior baiano.

O trabalho, vencedor da segunda edição do Prêmio Clarival do Prado Valladares, foi editado em 2006, com 560 páginas e mais de 700 fotografias de retábulos e elementos decorativos. A obra foi essencial para a compreensão da evolução da arte religiosa na Bahia.