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Organizado pelos historiadores Magnus Roberto de Mello Pereira e Ana Lúcia Rocha Barbalho da Cruz, Os naturalistas do Império - O conhecimento científico de Portugal e suas colônias (1768-1822) aborda a relevância portuguesa no processo de pesquisa de fauna e flora e a disseminação deste conhecimento em terras brasileiras. 

O livro apresenta o interesse e curiosidade dos europeus sobre as ciências naturais como consequência de antigo hábito de se colecionar amostras de pedras e conchas, variedades de exemplares de flora e fauna desconhecidas e inexploradas. A transição do colecionismo de curiosidades para o campo científico teve início a partir do naturalista sueco Carlos Lineu, após peregrinar pela distante Lapônia, colônia ártica da Suécia, em 1655. Posteriormente, assumindo o comando do antigo horto medicinal da Universidade de Uppsala, em 1655, elaborou o seu grande projeto de levantamento, classificação e aclimatação universal das espécies.  

Mas foi na segunda metade do século XVIII, em pleno apogeu iluminista, que as principais potências europeias aprofundaram os estudos sobre a flora, a fauna, os minerais e as populações nativas de todo o globo. Dezenas de expedições com objetivos científicos recolhiam materiais e os enviavam para os diversos jardins botânicos e museus de história natural criados por toda a Europa, para ali serem estudados e catalogados. Embora pouco estudada, a participação de Portugal nesse processo foi significativa: o país investiu amplamente na formação de pesquisadores e em práticas de organização e análise de exemplares recolhidos em seus territórios, o que permitiu um importante avanço no campo do conhecimento científico da natureza.

O avanço lusitano recebeu impulso decisivo durante o governo do marquês de Pombal, que conduziu uma profunda reforma na Universidade de Coimbra (1777), onde foram formados os quadros necessários à exploração científica das colônias portuguesas.

Parte expressiva dos alunos matriculados nos cursos destinados ao projeto de Pombal (ciências naturais e matemática, principalmente) era de origem brasileira. Estimulados pelo governo português a estudar em Coimbra, muitos deles passaram a integrar as chamadas Expedições Philosophicas enviadas às colônias. A primeira geração de iluministas de Portugal, composta por colonos nascidos no Brasil, foi a principal responsável pelo conhecimento científico desenvolvido sobre o Brasil e as antigas colônias portuguesas na África e na Ásia.

A obra traz curiosidades sobre a história dos jardins franceses, hortos médicos e jardins palacianos ingleses. Lembra ainda o primeiro jardim botânico estabelecido no Brasil, construído por Maurício de Nassau, no Complexo de Friburgo, em Recife, onde ficava o palácio sede da administração colonial da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais (West-Indische Compagnie, ou WIC) no Brasil. 

Os autores apresentam também o papel de D. Rodrigo de Souza Coutinho, Ministro da Marinha e Ultramar de Portugal, que ordenou a criação de jardins botânicos às principais colônias portuguesas.  Apesar da pressão constante de D. Rodrigo de Souza Coutinho sobre os diversos governadores de capitanias, o único jardim botânico cuja implantação teve relativo sucesso foi o do Grão-Pará, capitania governada por Francisco Maurício de Souza Coutinho, seu irmão.

Somente mais tarde, quando D. Rodrigo se instalou no Rio de Janeiro juntamente com a corte portuguesa, é que ele pode retomar seu plano com a criação de um horto na região da Lagoa Rodrigo de Freitas.

O livro traz ainda a pesquisa sobre os manuais de viagens científicas, as regras que o filósofo naturalista deveria observar, desenvolvidos entre o século XVIII e XIX. Narra a difícil jornada de estudantes brasileiros para chegar em Coimbra, alternativa que se apresentava para os filhos da elite colonial para a formação acadêmica com a ausência de instituições de ensino no Brasil. 

Magnus Roberto de Mello Pereira e Ana Lúcia Rocha Barbalho da Cruzé trazem à tona a época pombalina como um período chave para a implementação de um conjunto de medidas socioeconômicas e políticas em Portugal que impactaram decisivamente a região da Amazônia, onde São Luis e Belém eram centros únicos de reprodução cultural de conhecimento sistemático. A classificação das espécies faunísticas e botânicas, de cada localidade no interior da Amazônia coube inicialmente aos “padres matemáticos”, cujo trabalho foi decisivo para dar suporte às partidas conduzidas por engenheiros militares integrantes das expedições ibéricas do século XVIII.

Conhecimento científico como estratégia de governo

Após ter ocupado, juntamente com a Espanha, a vanguarda da expansão territorial europeia nos séculos XV e XVI, e de ter trazido ao conhecimento da Europa uma quantidade inusitada de informações sobre um mundo até então desconhecido, Portugal chegaria ao século XVIII sofrendo uma espécie de síndrome de atraso e obscurantismo. Parte desse “mal-estar” se atribui a um sentimento generalizado de baixa autoestima que teria acometido os portugueses sob o domínio espanhol. De qualquer forma, depois de estar na vanguarda da modernidade renascentista, Portugal vai atravessar o século XVII na semiobscuridade. No século XVIII, Portugal realizaria um espetacular esforço para superar seu relativo atraso e produzir conhecimento novo sobre seus territórios à luz das ciências modernas. No âmbito das reformas políticas e estruturais, a educação e o conhecimento científico, em especial, foram assumidos como estratégias de governo para alcançar o desenvolvimento econômico e estabelecer a soberania portuguesa sobre seus territóri
os coloniais. A atuação desses cientistas-colonos excedeu em muito os limites do território do Brasil. 

Prêmio Odebrecht de Pesquisa Histórica – Clarival do Prado Valladares

Criado em 2003, o Prêmio Odebrecht de Pesquisa Histórica – Clarival do Prado Valladares é uma iniciativa cultural da Organização Odebrecht conferida anualmente a um projeto de pesquisa inédito que trate de tema ligado à história do Brasil. 

A Organização Odebrecht é responsável pelos recursos necessários à realização completa do projeto selecionado, da pesquisa à edição de livro ilustrado – sempre com o apurado tratamento gráfico que caracteriza a coleção de Edições Culturais da Odebrecht.

As pesquisas patrocinadas pela Odebrecht resultam na edição de livros de arte, que são distribuídos para bibliotecas e entidades públicas e privadas, do Brasil e de outros países. As obras já foram reconhecidas por seis prêmios Jabuti, um prêmio da Associação Brasileira dos Críticos de Arte – ABCA e um da Associação Paulista dos Críticos de Arte - APCA. Desde a sua criação, foram recebidas 1.500 inscrições, vindas de 23 estados brasileiros.

Ao todo, foram 12 obras lançadas: 50 Anos de Urbanização Salvador da Bahia no Século XIX (2005); A Talha Neoclássica na Bahia (2006); Escrito da Pedra: Cor, Forma e Movimento nos Grafismos Rupestres na Bahia (2007); A História do Brazil de Frei Vicente do Salvador (2008); Igreja e Convento de São Francisco da Bahia (2009); Theodoro Sampaio nos Sertões e nas Cidades (2010); O Mosteiro de São Bento da Bahia (2011); O Comércio do Açúcar - Brasil, Portugal e Países Baixos (1595-1630) (2012); O Mapa que Inventou o Brasil (2013); Luís de Albuquerque - Viagens e governo na Capitania do Mato Grosso - 1771-1791 (2014); Um Sertão entre Tantos Outros (2015); e Os Naturalistas do Império (2016).   

Sobre os organizadores e autores do livro Os Naturalistas do Império:
Magnus Roberto de Mello Pereira - Historiador e professor da Universidade Federal do Paraná - UFPR, possui pós-doutorados na Universidade de Coimbra e na Universidade de Lisboa. É pesquisador do CNPQ e fundador do CEDOPE – Centro de Documentação e pesquisa de História dos Domínios Portugueses, da UFPR. Dedica-se ao estudo da história do Império Colonial Português e das redes científicas estabelecidas pelas principais potências coloniais do século XVIII. É autor de vasta obra sobre o tema.
Ana Lúcia Rocha Barbalho da Cruz - Jornalista e Doutora em História pela Universidade Federal do Paraná, possui pós-doutorado na Universidade de Lisboa. É pesquisadora do CEDOPE – Centro de Documentação e pesquisa de História dos Domínios Portugueses, da UFPR. Dedica-se ao estudo da atuação dos cientistas luso-brasileiros formados pela Universidade de Coimbra, no final do século XVIII.

Serviço:
Os naturalistas do Império - O conhecimento científico de Portugal e suas colônias (1768-1822)
Autores: Ana Lúcia Rocha Barbalho da Cruz, Magnus Roberto de Mello Pereira, Alex Gonçalves Varela, André Akamine Ribas, Carla Oliveira de Lima, David Felismino, Eugénia Rodrigues, Lorelai Kury e Maria de Fátima Costa.
Editora: Versal Editores
Páginas: 460

Assessoria de imprensa:
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